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sábado, 29 de outubro de 2022

Eleições 2022: Desafios do novo Presidente brasileiro

Eleições 2022: Quais os principais desafios de quem for eleito presidente
(
BBC News Brasil)

        A BBC News Brasil procurou especialistas ' para que ' apontassem ' os principais problemas do país que o vencedor ' das eleições presidenciais deste ano terá que enfrentar '.

        O relatório mais recente divulgado pelo Datafolha sobre o assunto ' mostra ' as maiores preocupações da população': saúde (22%), violência e economia (15%), desemprego (12%), inflação (10%), e educação (9%).

        Os especialistas indicaram desafios em cinco áreas:

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Economia: estagflação, desemprego e redução da desigualdade

        O cenário econômico no Brasil vem inspirando preocupação de economistas e organismos internacionais há alguns anos ... Na média, o Brasil vem apresentando taxas de crescimento econômico inferiores à média mundial. Em 2019, o produto interno bruto (PIB) cresceu 1,2%. Em 2020, ano em que teve início a pandemia de Covid-19, o PIB caiu 4,1%. Em 2021, houve uma recuperação e a economia cresceu 4,6%, mas ainda menos do que a média mundial, que foi de 5,7%, segundo estimativa da consultoria Austin Rating.

        No primeiro trimestre de 2022, a economia brasileira cresceu 1% '. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera um crescimento de 1,8% ' enquanto o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, estima ' 1,2%. Os dois índices são menores que a estimativa de crescimento do PIB do planeta segundo o Banco Mundial, que é de 4,1% em 2022.
        Ao mesmo tempo em que a economia demonstra dificuldade para crescer, a inflação segue em alta. Em 2021 ' medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou em 10,06%, pior número desde 2015. Em maio ' a taxa estava em 11,73%.
        E ' a taxa de desemprego no Brasil registrada pelo governo é de 9,8%, no trimestre encerrado em maio, ' mais de 10,6 milhões de pessoas.
        Para o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o principal desafio que o próximo presidente da República enfrentará nos próximos anos é a combinação de recessão ou crescimento baixo e inflação em alta, conhecida como estagflação (grifo nosso). "Esse fenômeno é um dos principais problemas que quem quer que assuma a presidência em 2023 vai ter que enfrentar. No mundo, estamos vendo esse cenário ', mas no Brasil ' é pior, especialmente entre os mais pobres", afirma o economista.

(...)

        Para o sociólogo e professor visitante da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, Marcelo Medeiros, a dificuldade em reverter este cenário cria um novo desafio a quem vencer as eleições: ampliar a rede de proteção social para a população mais vulnerável. (grifo nosso).
        "Há uma tendência de aumento do trabalho informal no Brasil e isso precisa ser enfrentado criando uma rede de proteção social que não seja tão vinculado às contribuições trabalhistas. Hoje, a maior parte dessa rede é financiada por quem está no mercado de trabalho formal. É preciso criar novas formas de financiar essa rede e ampliá-la", explica o sociólogo.

Segurança pública: polícias, facções e milícias

        O Brasil ' é um dos países com a maior taxa ' de homicídios do mundo, mas os números vêm mostrando uma tendência de queda. Segundo o Atlas da Violência divulgado em 2021 e produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Ipea, houve 45.503 homicídios no ano de 2019, uma queda de 22,1%. Apesar disso, a violência é o terceiro problema que mais preocupa os brasileiros, de acordo com o Datafolha.

        Na avaliação do pesquisador Renato Sérgio de Lima, que faz parte do FBSP, mesmo diante da tendência de queda na taxa de homicídios ', quem assumir o governo em 2023 terá três grandes desafios na área da segurança ': reestruturar as carreiras policiais e ' a integração dos órgãos que atuam no setor; conter o crescimento de facções e milícias (grifo nosso); e enfrentar a violência contra mulheres.
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        Sobre o tema MILÍCIAS tratamos bastante aqui no blog, após a leitura de mais de 30 (trinta) trabalhos (principalmente dissertações e teses) sobre o mesmo. Fica a dica e link de acesso a quem interessar possa, basta clicar AQUI.

Saúde: epidemias, investimentos e retomada

        A saúde lidera o ranking das preocupações do brasileiro, segundo pesquisa do Datafolha divulgada em março. Analistas ... apontam que os efeitos da pandemia ajudam a explicar os motivos pelos quais o tema se sobressai '.

        Para o médico sanitarista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Armando Massuda, alguns dos principais desafios a serem enfrentados na área de saúde são, ' efeitos colaterais ' causados pela ' covid-19.
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        Segundo ele (...) "Isso gerou uma demanda reprimida grande e vai ser um enorme desafio lidar com isso. É preciso preparar o ... SUS e atender a esse público que deixou de ser atendido. Isso gerou consequências graves para a população", explica.
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        Dados compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que a a cobertura contra a tríplice viral, que inclui o sarampo, caxumba e rubéola, caiu de 93,1%, em 2019, para 71,49% em 2021. A cobertura contra a poliomielite caiu de 84,2%, em 2019, para 67,7%, em 2021.
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        MUITO provavelmente a queda na cobertura vacinal da população brasileira se deu em função das campanhas antivacinas do trágico Governo atual - que se espera que mude (para o bem do povo brasileiro). E com isso, voltemos com as campanhas do "Zé Gotinha", a incentivar a população a se vacinar - Contra todos os males para os quais, o nosso querido SUS ofereça vacina...

Educação: qualidade e mercado

        Para os especialistas ouvidos ' os desafios do país na área educacional se dividem em dois grandes blocos. 'Educação básica e fundamental (e) Educação Superior.

        A cofundadora e presidente-executiva da organização não-governamental Todos Pela Educação, Priscila Cruz, diz que é preciso diminuir as taxas de evasão escolar, melhorar a qualidade da aprendizagem e aumentar o engajamento do aluno com a escola.
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        Em relação ao ensino superior, o sociólogo Marcelo Medeiros afirma que o ' desafio ' será ampliar a oferta de cursos superiores de qualidade numa proporção que acompanhe o crescimento da população que completa o ensino médio. "Nos últimos anos, a gente viu um aumento dos jovens que completam o ensino médio e querem ingressar no ensino superior. 'Demanda ' absorvida ' por cursos privados de baixíssima qualidade. Isso gera problemas no mercado de trabalho. O desafio é absorver ' e oferecer educação superior de qualidade", defende Medeiros (grifo nosso).

        Hoje mesmo (29/10/2022), submetemos artigo científico em um Congresso sob educação, tratando da questão de educação profissional junto ao chamado "Novo" Ensino Médio, e caso obtenhamos êxito na publicação, MUITO possivelmente (futuramente) compartilhemos sobre aqui neste mesmo blog...


Meio Ambiente: desmatamento, quadrilhas e mudanças climáticas

        Poucas áreas do governo ' chamam tanto atenção da comunidade internacional quanto a ambiental. Nos últimos anos, o avanço do desmatamento no Brasil fez com que personalidades nacionais e estrangeiras se manifestassem sobre o assunto (grifo nosso).

        ... As taxas de desmatamento na Amazônia vêm se mantendo altas ao longo dos últimos anos.

        Desde 2019, a taxa anual de desmatamento se manteve acima dos 10 mil quilômetros quadrados, algo que não acontecia desde a primeira década dos anos 2000. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve um crescimento de 22% no desmatamento entre 2020 e 2021 (dado mais recente). No ano passado, foram desmatados 13 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica ("itálico" nosso).

        O problema ' não se concentrou apenas no bioma amazônico. O desmatamento também cresceu no Cerrado. Junto com ' o avanço de garimpeiros ilegais em áreas protegidas como nas terras indígenas Yanomami (em Roraima e no Amazonas) e Munduruku, no Pará (grifo nosso).

        Para a pesquisadora sênior do Observatório do Clima Suely Araújo, os principais desafios ' na área ambiental serão: reduzir ' taxas de desmatamento ilegal ' reestruturar os órgãos de proteção ambiental e acelerar o processo de transição para uma nova matriz energética mais limpa e menos dependente dos combustíveis fósseis.

        "Não vamos conseguir reduzir as taxas de desmatamento sem fortalecer os órgãos de controle. 'Temos verdadeiras quadrilhas operando nos garimpos, na extração de madeira ilegal e na grilagem de terras '. Isso vai requerer um esforço muito grande do próximo governo, se isso for uma prioridade para ele", afirma Suely.

        Aqui nos parece interessante um adendo, mesmo que tiremos o representante dessas "quadrilhas citadas" acima, da chefia do Poder Executivo, eles já infiltraram representantes no Congresso Nacional. Entre outros, vide "Salles" - Aquele que achava que enquanto a sociedade pensava na pandemia, era hora do Governo "ir passando a boiada" 😓!

        A pesquisadora afirma que é preciso que a questão ambiental faça parte de todas as agendas do governo e não fique restrita ' a um ministério. Segundo ela, também é urgente que o governo reveja sua política energética. Segundo ela, o Brasil está indo na contramão do mundo (na) exploração de petróleo em vez ' investir ' em fontes de energia renováveis e limpas. "O Brasil parece querer se tornar o último vendedor de petróleo do mundo. Nós temos que acelerar o processo de descarbonificação da nossa economia e diminuir nossa dependência do petróleo como fonte de energia. Esse é um desafio urgente", explica.


  • Por Leandro Prazeres
  • Da BBC News Brasil em Brasília
PRAZERES, Leandro. Eleições 2022: Quais os principais desafios de quem for eleito presidente. BBC News Brasil, 2022. Disponível em: www.bbc.com/portuguese/brasil-61358907. Acesso em: 29 de Outubro de 2022.

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