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domingo, 2 de agosto de 2020

Gráfico COVID-19 em TB (julho/2020)

     Para se elaborar um gráfico da ocorrência oficial de coronavírus em TB (Telêmaco Borba / PR), primeiro se fez necessário tabelar os dados. Optou-se por mensurar de forma semanal.

     Segue abaixo tabela com casos do novo coronavírus ocorridos em TB desde o primeiro caso oficialmente confirmado...

Casos COVID-19 em TB Semana a Semana
Semanas Data No. de Casos Acumulado
1a. Semana 22 a 28 de março 1 1
2a. Semana 29 de março a 04 de abril 5 6
3a. Semana 05 a 11 de abril 0 6
4a. Semana 12 a 18 de abril 1 7
5a. Semana 19 a 25 de abril 4 11
6a. Semana 26 de abril a 02 de maio 4 15
7a. Semana 03 a 09 de maio 7 22
8a. Semana 10 a 16 de maio 1 23
9a. Semana 17 a 23 de maio 3 26
10a. Semana 24 a 30 de maio 5 31
11a. Semana 31 de maio a 06 de junho 11 42
12a. Semana 07 a 13 de junho 7 49
13a. Semana 14 a 20 de junho 23 72
14a. Semana 21 a 27 de junho 26 98
15a. Semana 28 de junho a 04 de julho 47 145
16a. Semana 05 a 11 de julho 41 186
17a. Semana 12 a 18 de julho 100 286
18a. Semana 19 a 25 de julho 193 479
19a. Semana 26 de julho a 01 de agosto 220 699
20a. Semana 02 a 08 de agosto
21a. Semana 09 a 15 de agosto
22a. Semana 16 a 22 de agosto
23a. Semana 23 a 29 de agosto
24a. Semana
25a. Semana
     Continuar-se-á acompanhando os casos nas próximas semanas...

     Depois de tabelado, pode-se elaborar o gráfico abaixo:
Elaborado pelo autor
     A linha laranja apresenta a somatória de casos - ela será sempre ascendente. Estará sempre na "crescente", pois vai se somando os casos. A linha azul é a que demonstra as ocorrências por período, no nosso caso por semana, essa é que vai nos demonstrar a diminuição de casos quando a linha atingir o "pico" e iniciar curvatura de volta à "base" - até que zeremos os casos. Mas, no momento estamos vivendo os que os especialistas em infectologia já alertavam para a "interiorização da pandemia". Precisamos redobrar os cuidados ao máximo, e, evitar aglomeração de toda forma possível.

     Histórico das ocorrências e principais pontos a se destacar:

  • Primeiro caso em TB foi oficialmente confirmado em 23 de março (considerada para fins deste como "primeira semana");
  • Segundo caso em TB foi oficialmente confirmado em 31 de março (na "segunda semana");
  • Dia 04 de abril teve pela primeira vez 02 casos confirmados no mesmo dia (ainda na "segunda semana");
  • E a semana de 29 de março a 04 de abril fechou com 05 casos confirmados;
  • Na semana de 12 a 18 de abril ("terceira semana") teve apenas 01 caso confirmado;
  • De 03 a 09 de maio ("sétima semana") foi a com mais casos até então, (curiosamente se "soma-se" o feriado de 1o. de maio no início da mesma);
  • No dia 05 de junho se teve a maior confirmação num dia só: 05 casos (na "décima semana");
  • E a semana de 31 de maio a 06 de junho ("décima primeira semana") fechou com 11 casos confirmados, o maior número numa única semana até então;
  • No dia 16 de junho (na "décima terceira semana") se teve a maior confirmação num dia só: 07 casos;
  • No dia 20 de junho repetiu-se a maior confirmação de casos num dia só: 07 casos;
  • Durante a semana de 14 a 20 de junho ("13a. semana") foram 23 casos confirmados, maior número de casos numa única semana;
  • No dia 24 de junho ("14a. semana") novamente se teve a maior confirmação de casos num dia só: 07 casos;
  • E a semana de 21 a 27 de junho ("14a. semana") fechou com 26 casos confirmados, o maior número numa única semana até então;
  • No dia 28 de junho ("já na 15a. semana") mais uma vez repetiu-se a maior confirmação de casos num dia só: 07 casos;
  • No dia 03 de julho ("ainda na 15a. semana") registrou-se a maior confirmação de casos num dia só: 14 casos confirmados num único dia;
  • E a semana de 28 de junho a 04 de julho ("15a.") fechou com o record de casos confirmados numa única semana até então: 47 casos;
  • A semana de 05 a 11 de julho ("16a.") fechou com 41 casos, seis a menos que a anterior;
  • No dia 14 de julho ("17a. semana") registrou-se a maior confirmação de casos num dia só: 23 casos confirmados num único dia;
  • No dia 18 de julho (ainda na "17a. semana") registrou-se a maior confirmação de casos num dia só: 28 casos confirmados num único dia;
  • E a semana de 12 a 18 de julho ("17a.") fechou com exatos 100 casos, record absoluto para uma única semana até então;
  • No dia 18 de julho registrou-se a maior confirmação de casos num dia só: 28 casos confirmados num único dia;
  • No dia 21 de julho (aí já na "18a. semana") registrou-se a maior confirmação de casos num dia só: 40 casos confirmados num único dia;
  • No dia 23 de julho (ainda na "18a. semana") registrou-se novamente 40 casos confirmados num único dia;
  • No dia 25 de julho ("18a. semana") registrou-se 43 casos confirmados num único dia - novo record;
  • E assim, bateu-se novo record semanal com 193 casos confirmados numa única semana ("18a.");
  • No dia 29 de julho (já na "19a. semana") registrou-se 65 casos confirmados num único dia - record absoluto;
  • No dia 30 de julho ("19a. semana") registrou-se 69 casos, record absoluto de casos confirmados num único dia;
  • E dessa forma, fechamos a semana ("19a.") com novo record, 220 casos.
     Fechamos ontem (01/08) a décima nona semana convivendo com casos de COVID-19 em TB. Continuaremos acompanhando nas semanas seguintes ...

     Percebe-se que a linha de casos continua ascendente, com os casos aumentando semana após semana. O que nos induz pensar que ainda não atingimos o pico da pandemia em TB.

Por fim, resta nos pedir encarecidamente:
     _Se puder #fiqueemcasa!


Fonte oficial para o levantamento das informações, o que fora realizado semana a semana:
http://www.telemacoborba.pr.gov.br/imprensa/noticias/saude/71-coronavirus/boletim-covid-19/9914-boletim-coronavirus-01-08-11-obitos-699-casos-positivos-426-recuperados.html


sábado, 1 de agosto de 2020

Volta às aulas na pandemia 2020???

     Em fevereiro deste ano (2020) meu filho estava estudando normalmente no Campus da UEPG em Uvaranas (PG). Não imaginávamos muito bem o que viria pela frente...
     Em março chegou ao Brasil a Pandemia do COVID-19 e as aulas foram suspensas. Em abril houve uma reunião do Colegiado da UEPG, e as aulas permaneceram suspensas por tempo indeterminado... Cogitou-se a possibilidade de se migrar para a EaD.
     Naquele momento eu já falara para meu filho que eu preferia que ele "perdesse" o ano letivo que o fizesse na modalidade EaD. Não é nada contra a modalidade, já fiz cursos na mesma. É por entender que um curso EaD é planejado dois a três anos antes de acontecer - não acontece assim no "improviso".
     Enfim, os cursos da UEPG (então presenciais) iniciaram atividades online a partir do último dia 20 de julho do corrente.

     Em junho, o Governo do Estado do Paraná, instalou um "Comitê de Planejamento de Retorno às Aulas Pós-pandemia" para tratar da educação em nível Fundamental II e Ensino Médio, "O anúncio foi feito pelo chefe da Casa Civil, Guto Silva, e pelo secretário de Estado da Educação e do Esporte, Renato Feder, durante reunião com representantes dos sindicatos das escolas particulares no Palácio Iguaçu".
     Notícia essa que pode ser conferida na sua íntegra clicando aqui.

     Como desmembramento dessa atitude, o Município de TB (Telêmaco Borba), aqui na minha querida região dos Campos Gerais, também já nomeou seu Comitê para estudos objetivando a viabilidade (ou não) de se voltar as aulas na Educação Infantil e Fundamental I, conforme Boletim Oficial 1572 e Decreto número 26.801 datado de 24 de julho de 2020, o qual pode ser conferido na sua íntegra clicando aqui.

     Meu filho é maior, se a Faculdade resolver voltar antes da hora que especialistas de infectologia possam considerar como ideal, ele tem autonomia para decidir... Meu conselho será para NÃO voltar!
     Mas, se eu tivesse filho menor eu jamais permitiria que voltasse para a sala de aula enquanto não tivermos condições sanitárias para tal...
     E o momento eu julgo totalmente impróprio, e, não entendo que venhamos ter essas condições tão breve. E, mesmo que a tenhamos mais próximo do final de ano, como se recuperar o tempo perdido (???). Não só o conteudista (apesar do esforço de pais em casa), mas o tempo de experiência social e crescimento intelecto psicossocial de cada jovem estudante (???)?
     Por tudo isso, e a não ser que a pandemia acabe nos próximos dias, ou que surja vacina, sou obrigado a fazer coro à "hashtag" #canceleonoaletivo2020.

     Abaixo o recadinho dos filhos da ex-aluna e amiga Letícia:
     A imagem das crianças foi produzida em 25 de março de 2020, antes da obrigatoriedade de uso de máscara!

     Enfim, se eu tivesse filho menor (criança principalmente), eu não deixaria voltar para a escola assistir aulas presenciais nas atuais circunstâncias.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Conhecendo melhor a origem da milícia

Fonte: Montagem Bol
Por Pedro Fonseca
do BOL, em São Paulo
22/02/2019 13h27


De onde vem o termo milícia?

"Impressiona, no estudo do uso do termo milícia ao longo da história mundial, seu uso equivocado recentemente. A palavra 'militia' tem raízes latinas que significam 'soldado' (miles) e 'estado, condição ou atividade' (itia) e que, juntas, sugerem o serviço militar. Mas milícia é comumente usada para designar uma força militar composta de cidadãos ou civis que pegam em armas para garantir sua defesa, o cumprimento da lei e o serviço paramilitar em situações de emergência, sem que os integrantes recebam salário ou cumpram função especificada em normas institucionais", explica a antropóloga Alba Maria Zaluar.

 

Como surgiram as milícias?

O antropólogo Paulo Storani divide o surgimento das milícias em três etapas, sendo a primeira referência, em meados da década de 1980, como uma organização comunitária para autoproteção, exercida pelos próprios moradores de comunidades constituídas de operários nordestinos que trabalhavam nas obras da explosão imobiliária da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para evitar a instalação do tráfico de drogas. A segunda etapa foi formada por agentes públicos que receberam casas em conjuntos habitacionais construídas pelo governo, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Eles se organizaram em grupos na tentativa de impedir a instalação de traficantes e repreender delitos. A terceira etapa se deu pela oportunidade que policiais encontraram de explorar atividades econômicas nas comunidades, após expulsarem os traficantes de drogas e outros criminosos, quando não os empregavam. As três etapas fizeram surgir um modelo específico de atividade criminosa que passou a se designar como milícia.
O sociólogo José Cláudio Souza Alves enxerga o surgimento em outra perspectiva: "A gestação das milícias aconteceu entre 1995 e 2000, quando aumentam as ocupações de terra na zona oeste do Rio. Nessas ocupações começam a surgir lideranças, muitas delas autoritárias. Esses líderes perambulavam em todos os setores das comunidades, até que, em 2000, entram na política", explica. "As milícias são sustentadas por dois braços: o econômico e o político. No início dos anos 2000, quando realmente entram na política, as milícias se tornam mais poderosas e começam a atuar em diferentes frentes, diversificando e fortalecendo o braço econômico. A junção de grupos de extermínio dos anos 70 e seu envolvimento no tráfico de drogas na década de 90 dão origem às milícias", completa. 

O que são milícias?

"Milícias são grupos criminosos formados a partir de agentes de segurança pública", explica José Cláudio Souza Alves, doutor em sociologia com ênfase em violência urbana pela Universidade de São Paulo e professor titular da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. "São grupos paramilitares compostos por agentes públicos de segurança ou civis, que se organizam para exercer funções típicas de Estado, como segurança pública", complementa o antropólogo Paulo Storani, ex-capitão do Bope.
Para Storani, o termo milícia passou a ser usado para designar grupos compostos por policiais, bombeiros, agentes penitenciários e civis que exercem o controle de comunidades: "Cobram por segurança ou exploram atividades econômicas, exercendo seu poder por meio de armas de fogo e intimidação das pessoas pela violência física ou psicológica".

Qual o propósito das milícias?

"A função das milícias é ter ganhos políticos, econômicos, sociais e culturais. São esses ganhos que distinguem a milícia de grupos de extermínio. Podemos dizer que as milícias são a restruturação desses grupos de extermínio", explica o sociólogo José Cláudio Souza Alves. O pesquisador acredita que as milícias só existem por haver uma intenção do Estado de manter esses grupos. "Muitos falam em poder paralelo, mas isso é uma grande farsa, o próprio Estado é o poder. As ilicitudes são organizações 'permitidas' pelo Estado para manter as classes dominantes. O Estado estar ausente é uma mentira; na verdade, ele opta por estar por fora, sendo conivente com o que se passa", completa Alves.
Alba Maria Zaluar, doutora em antropologia pela USP, explica de forma prática a relação entre milicianos e cidadãos para compreender seu propósito: "Há uma diversidade de situações na relação entre milicianos e moradores das comunidades, sendo que as mais desenvolvidas no processo de vender segurança são as de milicianos que, além de imporem o seu serviço aos moradores amedrontados, acrescentam outras exigências, tais como a compra de mercadorias mais caras, a compra de sinal ilegal de TV a cabo, o pagamento de taxas por cooperativas de transporte alternativo que circulam em seu território, o pagamento de altos percentuais para a compra, venda e aluguel de imóveis".

Como as milícias atuam?

Segundo o antropólogo Paulo Storani, as milícias atuam em comunidades carentes de atenção, com ações permanentes da polícia e desconsideradas pela mídia. "São mais organizadas que os traficantes, por serem compostas por agentes ou ex-agentes públicos, que buscam se infiltrar na política, como forma de aumento de seu poder e influência", explica.
O poder das milícias está justamente em se estruturar em diferentes frentes, conforme esclarece o professor José Cláudio Souza Alves: "No início, os grupos de extermínio viviam à base de taxas para a segurança nas comunidades e execuções sumárias; a milícia veio para transformar esse jogo. Hoje, milicianos cobram moradores por segurança nas comunidades, vendem água, gás, cigarro, estão inseridos na política e até traficam drogas". E o pesquisador completa: "A milícia é a face mais sombria e violenta do Brasil atual, principalmente no Rio de Janeiro" (grifo nosso).
Para Alba Maria Zaluar, doutora em antropologia, as formas de atuação das milícias podem ser muito diversas: "O trabalho de campo etnográfico nas áreas dominadas por milícias no Rio de Janeiro revelou que, apesar das semelhanças na sua composição e na forma de extrair lucros do território dominado, havia muitas diferenças na maneira de atuação desses grupos. Algumas milícias não aceitam bailes funk, enquanto outras os estimulam. Umas fazem a ronda sem ostentar armas, em outras seus membros portam-nas e usam até toucas de ninja na comunidade, embora sempre detenham o monopólio do uso de armas. Algumas apresentam atitudes e comportamentos mais previsíveis, sendo possível orientar-se pelo que se espera dos seus membros, enquanto outras são o reino do arbítrio".

Como a milícia se enquadra na lei?

Daniel Raizman, professor de direito penal e criminologia na Universidade Federal Fluminense, explica que o Código Penal foi atualizado em 2012 para enquadrar a milícia como um tipo de crime específico, pois antes era julgada como quadrilha ou bando. "Era difícil tipificar milícia como quadrilha, ela tem suas especificidades. Porém a legislação entendeu que o Estado devia ser claro que milícia é crime", explica Raizman.
O artigo 288-A do Código Penal diz que é crime constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos no Código.
Raizman esclarece que, na legislação criminal, a milícia não está explicitamente mencionada, mas pode se enquadrar na Lei 12.850 como organização criminosa.
Para o professor, organizações criminosas existem no mundo todo, mas cada país tem suas individualidades, como no caso da milícia: "A importância de especificar milícias no Código Penal está em tratá-la de forma específica como o fenômeno que é", explica.

Existe solução para as milícias?

Para encarar uma questão enraizada na sociedade carioca, é preciso encarar a realidade: não existe solução fácil. O antropólogo Paulo Storani tem uma visão pessimista sobre o futuro: "Da mesma forma que o tráfico de drogas, não tem solução para as milícias. Pela falta de uma estrutura eficiente de fiscalização e investigação, morosidade processual penal por parte do Estado, falta de penas duras e de um regime de execução penal que realmente mantenha os criminosos presos, qualquer perspectiva positiva se transforma em utopia", explica. "Anos de condescendência por parte dos poderes constituídos permitiram a construção desse cenário atual, portanto, urge a necessidade de um grave esforço político para desenvolvimento de políticas públicas que permitam uma inflexão desse cenário", completa.
José Cláudio Souza Alves discorda do ex-comandante do Bope: "O tráfico não é o problema. Para começar, precisamos mudar nossas políticas de drogas. Outro ponto, a polícia não pode ser homicida e suicida, precisamos repensar a Polícia Militar. Precisamos criar políticas sociais para jovens envolvidos com o tráfico, como incentivo à educação, cultura, mobilidade e esporte. Esses jovens também precisam de acompanhamento psicológico e um emprego digno. Agora, quando isso vai ser prioridade?", finaliza.

Fonte da imagem e das informações: https://www.bol.uol.com.br/listas/o-que-e-milicia.htm